O Ecocídio da floresta nacional

0  ● 25.6.17 0


Eucaliptugal, o ecocídio da floresta nacional


Portugal tem a maior área de eucalipto plantado de toda a Europa.


Portugal é provavelmente o país com maior área de eucaliptal plantado em toda a Europa. Não falamos em termos relativos, mas em termos absolutos de área plantada. Portugal, o pequeno jardim à beira-mar plantado, tem a maior área de eucalipto plantado de todo o continente.

Em 2008 o território português era já o maior produtor mundial de Eucalyptus globulus, à frente de Espanha e da Austrália. A área de eucaliptal na altura era de mais de 700 mil hectares. Cresceu. Hoje o Eucalyptus globulus atinge oficialmente os 812 mil hectares de área plantada no espaço florestal em Portugal. Em termos de área total de eucaliptos plantados, Portugal fica apenas atrás da Índia, do Brasil, da China e da Austrália.

- A área da Índia é 32 vezes a área de Portugal.

- A área da Austrália é 84 vezes a de Portugal.

- A área do Brasil é 92 vezes a de Portugal.

- A área da China é 104 vezes a de Portugal.

No entanto Portugal compete directamente com estes países em termos de área plantada de eucalipto, com os seus modestos 91 mil 470 km², onde 8,8% são eucaliptos, 26% de toda a área florestal, recorde mundial.

Na Austrália, país de que são originários os eucaliptos, o Eucalyptus globulus é conhecido como Tasmanian Blue Gum (Árvore da Seiva Azul da Tasmânia), Southern Blue Gum (Árvore da Seiva Azul do Sul), Fever Tree (Árvore da Febre) e até mesmo Gasoline Tree (Árvore Gasolina). Os nomes comuns das árvores costumam ter forte ligação às suas características próprias. Algumas das características deste eucalipto promoveram a sua expansão por todo o mundo, ocupando hoje uma área estimada em 22 milhões de hectares. Este eucalipto é uma árvore de rotação curta e crescimento rápido, o que permite que seja utilizada com uma elevada produtividade e com rápido retorno nos investimentos, o que anda a par com a escolha da economia de curto prazo vigente nos dias de hoje.

Se o eucalipto for introduzido em territórios onde não exista falta de água, ao contrário do seu terreno natural, este crescimento será ainda mais rápido, com elevada voracidade de absorção de água e nutrientes dos solos. E é assim que em Portugal e Espanha temos boas condições para o eucalipto, razão pela qual os mais altos Eucalyptus globulus do mundo se encontram na Península Ibérica e não na Oceânia O eucalipto está perfeitamente adaptado a Portugal, o problema é que Portugal não está perfeitamente adaptado ao eucalipto.

As árvores não podem nem devem avaliadas segundo as suas características próprias como se fossem boas ou más. As suas características derivam das condições naturais em que as mesmas evoluíram e dos factores que levaram ao seu sucesso nesses mesmos ecossistemas. As condições nas quais este eucalipto evoluiu favoreceram uma série de características próprias excelentes para o seu desenvolvimento no sul da Austrália e na Tasmânia, que poderão não ser as mais adequadas à sua plantação por todo o mundo.

O eucalipto é altamente inflamável, em particular a partir dos 6/7 anos de idade. As folhas do eucalipto libertam o agradável aroma que todos conhecemos, que se compõe de terpenos e de ácidos fenólicos, óleos e compostos que não só inibem o desenvolvimento de microrganismos nos solos das florestas de eucaliptos como também impedem o crescimento de ervas nestes solos, inibindo o desenvolvimento de raízes de sementes de outras espécies. Esta é uma característica importante para o desenvolvimento do eucalipto na Austrália, onde compete com outras espécies para a ocupação de poucos recursos, nomeadamente para absorção de água e minerais. Apesar de altamente inflamável, não é comum o eucalipto morrer em incêndios. A sua casca incendeia-se muito rapidamente, explode e emite projecções da sua casca incandescente até centenas de metros de distância. A elevada acumulação de biomassa das folhas no leito da plantação aumenta o material disponível para a combustão, de difícil decomposição pelos microrganismos.

Os solos das plantações deste eucalipto são altamente hidrofóbicos e os microrganismos têm dificuldade em digerir as folhas e a casca que caem da árvore, razão pela qual há pouca variabilidade de microrganismos presente nas plantações de eucalipto. Consequentemente há menos invertebrados nestas "florestas", menos cogumelos e menos ervas. A possibilidade de qualificar um eucaliptal como passível de integrar um sistema agro-silvo-pastoril ignora o facto de que tanto cabras como ovelhas ou vacas são incapazes de digerir as folhas de eucalipto.

A maior parte das espécies que come matéria vegetal estará portanto afastada das plantações de eucalipto, em todos os locais excepto aqueles em que existem eucaliptos há milhares de anos e onde as espécies como o koala conseguem de facto comer e digerir as folhas do eucalipto. Considerando a difícil habitação da maior parte das espécies num eucaliptal plantado fora do seu habitat, alguém lembrou-se um dia de lhe chamar a estas plantações de "desertos verdes".

Mitos, dirão os produtores deste eucalipto e da pasta branca de papel, apontando estudos que não confirmam nem desmentem uma série de pequenos aspectos passíveis de discussão. Apontarão problemas de gestão para justificar os impactos dos eucaliptos nos solos, os seus efeitos nos níveis de água, tentando negar as características responsáveis pelo sucesso económico do eucalipto: ele cresce rapidamente porque metaboliza rapidamente os nutrientes, absorve mais água e utiliza-a de forma mais eficiente para extrair dos solos a sua riqueza. Depois é cortado e leva essa riqueza consigo.

Não é um complot do eucalipto, é a forma como ele é utilizado. E as únicas formas de gestão do eucalipto que o compatibilizariam com um desenvolvimento harmonioso seriam a negação das características desta árvore que, sendo benéficas para o crescimento económico a curto prazo, são pelas mesmas características prejudiciais ao território, às características dos incêndios, ao esgotamento dos solos da água, à incompatibilidade com a biodiversidade local. E diploma algum em qualquer parte do mundo permitirá mudar a biologia por decreto administrativo.

Se considerarmos além disto que a previsão actual é de que a temperatura no país possa subir até 10ºC nos próximos 75 anos e que o mercado mundial do papel está em declínio, ficam perguntas: qual é o objectivo de tudo isto? Porquê um eucaliptugal, um portugalipto? Quem ganha com este ecocídio? E quando é que vamos deixar de vez de aceitar que espezinhem o nosso direito universal a um ambiente saudável? Quando já não houver?

João Camargo,
Eng. Zootécnico, Eng. do Ambiente, Técnico de Intervenção da Liga para a Protecção da Natureza. 2013 http://visao.sapo.pt/
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Assinatura Genética dos portugueses é única

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Em 1997, uma equipa de cientistas portugueses e espanhóis investiga 3 genes de um conjunto denominado como HLA, e faz revelações surpreendentes.



Há mais de 20 mil genes na espécie humana. Esta diversidade genética dependa da acumulação de mutações aleatórias ao longo do tempo, mas também dos cruzamentos entre as várias populações do mundo. Hoje a genética da nossa espécie é uma gigantesca miscelânea que se deve a encontros e cruzamentos entre povos que se encontravam separados geograficamente. Mas sabia que os portugueses têm no seu ADN algo que não se encontra em mais nenhum povo do mundo?

Documentário (4 minutos) do Canal História: Assinatura Genética dos Portugueses.
Grande parte da História de Portugal está gravada no seu ADN. Na verdade existe um carimbo genético exclusivamente português. Em 1997, uma equipa de cientistas portugueses e espanhóis investiga 3 genes de um conjunto denominado como HLA, e faz revelações surpreendentes.
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Hernâni Carvalho arrasa Comandante da Protecção Civil

0  ● 24.6.17 0



Tragédia de Pedrógão Grande: Quase uma semana após o maior incêndio registado em Portugal, Hernâni Carvalho aponta o dedo à Protecção Civil: "A maior violência que aqui há, é a violência de perceber que a coordenação está descontrolada". Hernâni defende os bombeiros e critica o comandante operacional da Protecção Civil, Vaz Pinto: "Hoje, ouvimos uma conferência de imprensa com um Coordenador a agradecer a toda a gente, menos aos bombeiros." lembrou Hernâni Carvalho.(ver o video)
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A CAUSA do negócio dos incêndios - Paulo Morais

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A CAUSA do negócio dos incêndios:

Orçamento para combate a incêndios: 211 Milhões de Euros.
Orçamento para prevenção de incêndios: ZERO.





211 MILHÕES DE EUROS para o combate a incêndios.
Bastaria despender menos de metade em prevenção e não estaríamos na situação de catástrofe em que nos encontramos, resultantes desta avassaladora e descontrolada vaga de incêndios.

Veja aqui: Em vez de andar a pagar fogos, o estado deveria premiar a sua inexistência.
As campanhas de combate a incêndios, incentivam os próprios incêndios ao enriquecerem as empresas que se alimentam deste negócio.
Paulo Morais
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Tenham vergonha e façam aquilo que desfizeram, reponham os Serviços Florestais

1  ● 22.6.17 1


"Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?"

Nos momentos em que escrevo estas linhas está a desenrolar-se uma das maiores tragédias florestais em Portugal, senão mesmo a maior. E estas notas não terão a ver directamente com o caos dos incêndios que nesta altura atacam o centro do nosso país mas têm indirectamente. E a resposta está no telefonema que me foi feito, a meio da manhã, pelo Prof. Jorge Paiva da Universidade de Coimbra, que me dizia desesperado: “Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?”
[...]
Chamemos as coisas pelos seus nomes: foi num Governo PS que foi extinto o Corpo de Guardas Florestais que existia nos Serviços Florestais e os seus efectivos foram integrados na GNR. Erro crasso, naquela perspectiva neo-liberal de “menos Estado para melhor Estado”.

Está-se mesmo a ver, não está ?

Os guardas florestais não eram polícias, eram actores fundamentais da vigilância das matas, integrados numa cadeia de comando especializada que ia dos velhos Mestres Florestais aos Administradores Florestais e ate aos Chefes de Circunscrição. Eles não têm que ser comandados por sargentos ou tenentes, têm de ser comandados por quem sabe dos problemas das florestas.

Depois desta asneira socialista, o Governo PSD/CDS pela mão do sábio e secretário de Estado do queijo limiano, e perante a apatia da ministra do CDS e dos sociais-democratas (que tinham obrigação, pelo seu historial , de serem mais competentes em matéria ambiental) acabou de vez com os serviços florestais e integrou-os no Instituto da Conservação da Natureza. Cereja em cima do bolo da asneira!!

É preciso ter bom senso e acabar de vez com esta situação anómala de sermos talvez o único país do mundo com tanta área florestal e não termos Serviços Florestais nem um Corpo de Guardas Florestais.

Perdeu-se a grande sabedoria do velhos Mestres Florestais, senhores das serras e das matas que eles conheciam como as suas próprias mãos; mas ainda há na GNR umas centenas de antigos guardas florestais que podem ser o embrião de um novo corpo especializado.

Tenham vergonha de dar a mão a palmatória e façam aquilo que desfizeram, reponham os Serviços Florestais no Ministério da Agricultura e Florestas (chamem-lhe Instituto, chamem-lhe o que quiserem), com a dignidade que eles nunca deviam ter perdido, reponham a funcionar a quadrícula de casas e postos florestais que são quem pode assegurar a vigilância permanente das serras do país, dêem a esses postos as novas tecnologias e os novos meios de comunicação e dêem de novo aos guardas florestais a capacidade legal de continuarem a vigiar as matas, de obrigarem os proprietários a limpar e a ordenar as matas.

Também acabaram com os guarda-rios e nunca mais as margens e leitos da maior parte das ribeiras foram limpas, como eram quando esses agentes obrigavam os proprietários marginais das linhas de água a limparem as margens dos seus terrenos.

A terrível tragédia que nos aflige, que ao menos sirva de aviso para o que pode acontecer este Verão, com tanta área de pastos secos debaixo de temperaturas cada vez mais quentes, já que ninguém liga aos avisos dos cientistas, portugueses e internacionais, sobre as alterações climáticas graves que estão em curso e que afectarão muito em especial o Mediterrâneo e a nossa Península. Lá que o Trump não acredite nisso, é lamentável mas para quem é poucochinho não se pode exigir mais. Mas a governos responsáveis temos de exigir muito mais.

A minha voz não tem peso político nem público, mas tem a experiência de muitos anos embrenhados nestes problemas. Outras vozes com maior ressonância certamente me darão razão.

Fernando Santos Pessoa
Ex-Administrador Florestal, fundador e 1º Presidente do SNPRPP
publico.pt
ver «Quem mais factura com incêndios, é alguém condenado por corrupção» Paulo Morais
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ACUSO! Autores morais da tragédia de Pedrógão

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"Acuso fileira da celulose e governantes que pactuaram de autoria moral"


Miguel Sousa Tavares, esta segunda-feira na SIC-N comentou a tragédia de Pedrógão Grande. O comentador defende que as responsabilidades políticas deste incêndio começaram em 1987, com o primeiro Governo de Cavaco Silva. E diz que o ministro da Agricultura desta altura defendeu o abandono da agricultura a "troco de indemnizações" e que o da Indústria e Energia defendeu a "eucaliptização" do país, lembrando ainda que o ministro disse que os eucaliptos eram "o nosso petróleo verde". Aproveitou até para deixar uma mensagem a Mira Amaral: "o seu petróleo não é verde, é da cor do fogo".

Sobre os sistemas de comunicações para situações de emergência (SIRESP), o comentador diz que o sistema, apesar de ter sido muito caro (mais de 400 milhões euros) falhou e impossibilitou o combate dos incêndios da" melhor maneira".

O comentador criticou ainda o país e, em especial, os políticos que "insistem em não aprender a lição. (...) Nós em termos da dimensão de áreas ardidas na Europa somos um escândalo". Explicando que a EN236 estava ladeada por eucaliptos, Sousa Tavares dispara: "Eu acuso a fileira florestal das celuloses em Portugal e todos os governantes que pactuaram com ela de autoria moral de muitos destes mortos".

"Eu diria da cor do sangue!", disse Ana Paula Mota (seguidora do PG). Veja: Hernâni Carvalho arrasa Protecção Civil - "Hoje, ouvimos uma conferência de imprensa com um Coordenador a agradecer a toda a gente, menos aos bombeiros."

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Detalhes do contrato com o SIRESP: Um insulto à inteligência!

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Hernâni Carvalho revela conteúdo do contrato que o Ministério da Administração Interna fez com o (SIRESP) Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança. Um contrato com traços hilariantes, não fora o assunto ser demasiado sério: "O sistema pode falhar, desde que haja azar".

Sobre a tragédia de Pedrógão, Hernâni aponta o dedo à Protecção Civil: "Sempre houve bombeiros, sempre houve fogos, sempre foram apagados... e nunca havia Autoridade Nacional de Protecção Civil. Em termos de coordenação foi um FALHANÇO".

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